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Serviços Públicos: Novos desafios para prática profissional

Informativo do Conselho Regional de Psicologia da 3ª Região BA Ano 03 – Edição nº03 | janeiro/abril 2011. 

Quem nunca fez, ou pensou em fazer, concursos e seleções públicas? Quem nunca ouviu falar de SUS, Segurança Pública, Educação, Programa Bolsa Família? Temos nossas vidas afetadas pelas políticas governamentais, independente da classe social a que pertencemos. Duvida? Vamos pensar… Clínicas e hospitais particulares, bares e restaurantes, indústrias de alimentos, entre outros, devem seguir normas especificadas pelo SUS. Escolas e faculdades, públicas e particulares, devem atender às normas estabelecidas pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. E o que falar da política financeira e da previdência social? A política de segurança pública afeta sua vida?

Bom, as políticas públicas também interferem na prática profissional da psicologia. Como? De acordo com os dados apresentados no livro ‘O trabalho do Psicólogo no Brasil’, estamos deixando de ser profissionais liberais e estamos nos tornando assalariados. Além disso, 40% dos profissionais de psicologia estão no setor público. Este é o nosso maior empregador! 

E não é só isso. Fazemos parte de equipes mínimas, dos profissionais de referência em diversas políticas, como saúde e assistência social, desde a atenção básica até a média e alta complexidade. Mas nos deparamos com uma situação complexa. Em alguns setores onde a(o) psicóloga(o) está se inserindo ainda cabe a atuação tradicional. Mas o que fazemos nos setores onde as práticas aprendidas durante a graduação não atendem aos objetivos da política? O que fazemos quando somos chamados para atuar na educação inclusiva, nas medidas sócio-educativas, nas penas alternativas, em situações de emergências e desastres? Ou ainda, que referências teóricas nós temos em psicologia para as áreas emergentes?

Diante do desemprego estrutural que toda sociedade capitalista vive, ninguém se dá ao luxo de recusar postos de trabalho. Ainda que não seja o trabalho idealizado durante a graduação, ainda que não estejamos preparados para determinados espaços de atuação, ainda que nos ofereçam condições de trabalho desfavoráveis, o setor público costuma ser a porta de entrada no mercado de trabalho.

Mas não basta ocupar estes lugares. Se não nos apropriamos destes espaços, se não compreendermos a lógica que se opera, conhecermos as ferramentas institucionais, construirmos novas tecnologias, se não produzirmos novos conhecimentos que deem conta, ou que tentem dar conta, da complexidade desta nova atuação seremos atropelados e descartados. Ou pior ainda, corremos o risco de reproduzir práticas excludentes, de contribuir para a violação dos direitos e para o aprofundamento das desigualdades sociais, de “psicologizar” os problemas sociais.

Considerando que as áreas de inserção no setor público são pouco conhecidas também da academia, o Sistema Conselhos de Psicologia criou o Centro de Referência Técnica em Psicologia e Políticas Públicas. O CREPOP representa a concretização do compromisso com um eixo político central no trabalho dos Conselhos: a defesa da garantia dos Direitos Sociais por meio da implementação de políticas públicas, sob responsabilidade do Estado.

Neste sentido, o CREPOP foi criado com o objetivo de referenciar, qualificar e ampliar a atuação da(o) psicóloga(o). Para tal, tem como uma das principais ações a sistematização e difusão do conhecimento e das práticas psicológicas nas políticas. O que isso quer dizer?

O Crepop realiza pesquisas sobre a atuação profissional nas políticas públicas. As pesquisas são realizadas nacionalmente, através de metodologias quantitativa e qualitativa. Os dados dão subsídios para a construção das referências técnicas, construídas também com a colaboração de especialistas na área e de uma consulta pública sobre o documento. As referências já publicadas estão disponíveis no site – crepop.pol.org.br!

O CREPOP também contribui para o diálogo com as diversas esferas sociais – Estado, sociedade civil, profissionais, Instituições de Ensino Superior (IES) – fomentando a discussão sobre a qualificação técnica e melhorias nas condições de trabalho nas políticas públicas.

 

Autoras: Gisele Lopes e Glória Pimentel.

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